A arte de cativar o cliente.

Todos os domingos pela manhã vou à feira. Tinha o hábito de comprar minhas frutas em diversas barracas. Um dia, já indo embora, percebi que havia esquecido de comprar morangos e o fiz na primeira barraca que apareceu na minha frente. Afinal, o calor estava de matar, as sacolas pesadas e não via a hora de chegar em casa…definitivamente não era o momento de ir em busca do melhor preço.
Ao perceber que eu estava interessada nos morangos, o vendedor prontamente saiu de trás da banca e pegou minhas sacolas. Eu disse que não havia necessidade, que queria apenas uma caixinha de morango. Ele não se importou. Imediatamente pegou um pêssego, cortou e me deu um pedaço. Não satisfeito, fez o mesmo com uma ameixa. Depois, abriu um saco de cerejas e me deu algumas. Mesmo após tanta cordialidade, comprei apenas os morangos. Depois que paguei (R$3,00), ele chamou um menino e disse para ele me acompanhar até o carro levando minhas compras.
Na semana seguinte, depois de comprar tudo o que precisava, exceto as frutas, me dirigi à tal barraca. Luciano (o vendedor), me avistou de longe, correu em minha direção, pegou minhas compras e me cumprimentou pelo nome. Entre comer uma fruta e outra – sempre oferecida por ele – separei tudo o que precisava. De quebra, convencida pelo feirante, ainda levei outras que nem estavam na minha lista. Pra minha surpresa, ao fechar a conta, o valor superou em R$ 17,00 o montante que eu tinha no bolso. Com um sorriso no rosto, Luciano disse que isso não era problema e que eu poderia acertar na próxima compra e ainda me deu uma bandeja de frutas variadas de presente.
No outro domingo, não tive a menor dúvida e, de novo, comprei todas as frutas na barraca do Luciano. Como ele estava atendendo outro cliente, preferi esperar um pouco do que ser atendida por outro vendedor. Pude então observar a atenção que ele dava a todos os clientes que se aproximavam. Ele sabia o nome de cada um deles e sempre perguntava pela esposa, marido, ou filhos – também pelo nome!
Hoje, praticamente um ano depois, nem lista de frutas eu faço mais. Luciano é quem resolve o que devo trazer pra casa ou não, quais as frutas que estão saborosas e me orienta que dia da semana devo comê-las, quando estarão no ponto certo. Durante a compra, conversamos sobre futebol, cinema, últimas notícias…
Semana passada Luciano estava feliz como nunca e super ansioso, pois irá se casar agora no dia 1 de maio. Como esse foi o último domingo antes do casório e semana que vem ele estará em lua de mel, levei, com todo o gosto, um presente de casamento. Enquanto escolhia comigo as frutas, fomos interrompidos pelo menos umas três vezes. Eram clientes que também estavam deixando um presente para o casal.
Há todo tipo de cliente, sim. Mas também me deparo com vários perfis de vendedores. Luciano, sem sombra de dúvida, deixa muito gerente comercial de grandes empresas no chinelo. Luciano vende frutas, mas também dá de presente a seus clientes sua atenção, seu sorriso, sua boa vontade… Se o preço das frutas é mais caro? Sinceramente? Pouco me importa e tampouco aos outros clientes. O atendimento vale!

CELMA BOA NOITE
ESTAVA PESQUISANDO UMA IMAGEM PARA A ELABORAÇÃO DE UMA PALESTRA E ME DEPAREI COM SEU BLOG,CONCORDO QUE A POSTURA DO VENDEDOR É A PARTE PRIMORDIAL NA HORA DA VENDA, JÁ FUI VENDEDORA E MINHA TÁTICA FOI SEMPRE SER EU MESMA SEMPRE SIMPÁTICA E NATURAL…
ATÉ..
Muito bom a história, ao ler me emocionei.
“Dizem que o trabalho dignifica o homem”.
Acredito muito nisso.
Até.