Ser profissional é preciso…pra quem quer sobreviver

 

Na última quarta-feira à noite tive a montagem do estande de um cliente, a Biológica Brasil, no Congresso de Nutrição. Diferente de outras montagens, essa era pra ser simples, espaço pequeno, decoração muito parecida com a última que fizemos, enfim… Depois de um dia puxadíssimo de trabalho, sigo pra lá, dez horas da noite com o pensamento de que em, no máximo, duas horas tudo estaria terminado. Chegamos lá onze e pouco da noite e, pra nossa surpresa, o estande nem estava montado. :S Localizei o atendimento da montadora e conversei com ele, que me disse que em meia hora o pessoal estaria subindo pra montar as minhas prateleiras. Três horas depois, nada ainda havia sido montado e eu nada mais poderia fazer, pois a parte crucial do meu trabalho era exatamente a disposição dos produtos nas prateleiras e decoração. Quase 3 da manhã, sem paciência alguma, procuro o dono da montadora que lá estava. Ele me diz que as prateleiras estão a caminho, saindo de um galpão e que ainda demorariam umas duas horas pra chegar ao local e me mandou descansar enquanto isso …. Sabe aquela hora em que o sangue ferve, sobe à cabeça e você tem vontade de gritar com a pessoa? Pois foi exatamente o que eu fiz. Perdi totalmente a compostura, coisa que quem trabalha comigo sabe que sou totalmente contra. Mas cansei de desculpas esfarradas, o cara era amador e eu não sou. Passo longe disso. E sei exatamente quais foram todas as mentiras que ele contou. Depois dessa “amável’ conversa que tivemos, ele tentou achar soluções pra resolver o problema…e nada…soluções capengas, que deixariam o estande horroroso. Quase cinco da manhã e eu desesperada. Meu estômago parecia que ia dar um nó. O cansaço, que já vinha de dias, parecia pesar uma tonelada em cima do meu corpo. Eu já não raciocinava mais. Quase 6 e meia da manhã e o cara me avisa que as prateleiras ainda iam demorar. Juro, minha vontade era de sentar e chorar de desespero, mas não podia, tinha que resolver. O evento começaria em menos de uma hora. Fizemos um improviso com outras prateleiras, o que acabou prejudicando o visual, mas não tinhamos outra alternativa. Tudo ficou pronto exatamente 7h53, e o evento começaria às 8h. Arrumei minhas coisas e fui embora, direto pra agência, pois ainda tinha que finalizar uma campanha de Esclerose Múltipla (a tal da vida dupla)… No caminho, chorava de desespero, porque achava que não ia conseguir finalizar tudo a tempo da reunião que teria da apresentação das peças, sem contar que o estande não tinha ficado como planejávamos. No final, tudo deu certo. O fato é que até hoje, domingo, ainda sinto reflexos do stress, nervoso e desespero dessa madrugada.

Toda essa história pra dizer três coisas importantes:

1) Trabalho como prestadora de serviços, tal como a montadora (que não fui eu quem escolheu, foi indicada pelo cliente), e pra minha empresa, todo cliente é cliente, tem o melhor tratamento possível, independente do quanto demanda da agência, do quanto recebo dele.  Isso é profissionalismo, isso é ética, isso cativa o cliente. Diferente da montadora.

2) Nada é tão simples ou tão impossível quanto pensamos ser.

3) Têm momentos em que desacelerar é preciso. ;)

~ por Celma Sammarco em Domingo, 14 Setembro,2008.

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